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      Por que sentimos vontade de morder e apertar bebês fofos ou as pessoas que amamos?

      Por que sentimos vontade de morder e apertar bebês fofos ou as pessoas que amamos?

      Quem nunca se sentiu um pouco Felícia, a personagem dos desenhos animados que apertava seus bichos a ponto de quase esmagá-los? Pois saiba que esse é um fenômeno conhecido pela ciência e que tem até uma utilidade para a nossa saúde emocional.

      Um estudo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, mostrou a 299 pessoas fotos de oito bebês, manipulados digitalmente para parecerem mais fofos – com olhos e bochechas grandes, por exemplo. Depois, os pesquisadores avaliaram as reações dos participantes por meio de questionários.

      No final, eles observaram que quem sentia mais emoções positivas em relação ao bebê também tendia a apresentar mais ímpetos agressivos, como apertar, morder e beliscar. Segundo os autores do trabalho, publicado em 2015 no periódico American Psychological Science, essa é provavelmente uma estratégia do cérebro para lidar com sentimentos intensos.

      “O estudo mostra que, frente a um estímulo extremamente positivo, há uma resposta contrária para tentar equilibrar as emoções”, explica Daniel Mograbi, professor do Departamento de Psicologia da PUC Rio e pesquisador visitante na Universidade King’s College London.

      A pesquisa de Yale avaliou especificamente bebês, mas esses impulsos opostos ocorrem também em outras situações: quando choramos na melhor parte do filme, gritamos de empolgação e por aí vai.

      Sentimentos ativam partes do corpo

      Os mecanismos cerebrais por trás dessa resposta não estão muito bem estabelecidos. “Sabemos que a ativação fisiológica de determinadas emoções envolve não só algumas regiões do cérebro, mas também a atividade corporal”, complementa Mograbi. No caso de coisinhas pequenas como bebês e filhotes, a relação parece ser ainda mais intensa, pois eles despertam o instinto de cuidar, tão inerente aos mamíferos.

      Por isso, além do bem-estar da pessoa que está lidando com tamanha fofura alheia, os pesquisadores sugerem no trabalho a hipótese de que mesmo esse ímpeto violento sirva, em última instância, aos bebês. Afinal, depois que o impulso agressivo estabiliza as coisas, o humano fica mais concentrado em cuidar do pequeno e não morrendo de fofura. Esse efeito benéfico de autorregulação foi, aliás, observado no estudo. Portanto, pode morder as dobrinhas do neném em casa – só vá com calma!

      Imagem: Divulgação
      Texto: UOL