Um estudo internacional da OCDE mostrou que 53% das famílias brasileiras quase nunca leem livros para crianças de cinco anos. Só 14% fazem leitura compartilhada várias vezes por semana, enquanto a média internacional passa dos 50%. Pesquisadores alertam que esse hábito ajuda no desenvolvimento da fala, da criatividade, da memória e no vínculo entre adultos e crianças.
Radiografia do estudo
A pesquisa ouviu famílias, professores e avaliou mais de 2.500 crianças de 210 escolas públicas e privadas. O levantamento analisou linguagem, matemática, habilidades emocionais e funções cognitivas usando jogos e atividades adaptadas pra idade. Os dados devem ajudar na criação de políticas públicas voltadas à primeira infância.
Habilidades iniciais: linguagem e matemática
Na pesquisa, o Brasil teve bom desempenho em linguagem infantil, ficando ligeiramente acima da média internacional em habilidades ligadas à fala e vocabulário. Já em matemática básica, o resultado ficou abaixo da média mundial, mostrando diferenças maiores entre crianças de diferentes classes sociais.
Recorte racial e de gênero
O estudo mostrou desigualdades importantes. Meninos, crianças pretas, pardas, indígenas e de famílias com menor renda tiveram desempenho mais baixo em várias áreas, principalmente em matemática e memória de trabalho. A diferença entre crianças brancas e pretas foi considerada alta.
Telas e aprendizado
Mais da metade das crianças usa celular, tablet ou computador todos os dias. Segundo os pesquisadores, o uso excessivo de telas pode prejudicar leitura, escrita e aprendizado matemático, principalmente quando não há acompanhamento dos adultos. Além disso, poucas crianças usam os dispositivos com foco educativo.
Crianças saem menos de casa
A pesquisa também mostrou que as crianças brasileiras estão brincando menos ao ar livre. Atividades como passeios, esportes, visitas a bibliotecas e brincadeiras fora de casa acontecem com menos frequência do que na média internacional. Especialistas lembram que isso impacta diretamente o desenvolvimento físico, emocional e social.
Imagem: Divulgação
Texto: adaptado da Agência Brasil