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      Alceu Valença faz show comemorativo inédito em Curitiba neste fim de semana

      Alceu Valença faz show comemorativo inédito em Curitiba neste fim de semana

      Multifacetado, inquieto, irreverente, arredio, louco, gênio. Tudo isso é constantemente aplicado a Alceu Valença, simplesmente definido como artista.

      A rebeldia experimental da década de 1970 nunca deixou de habitar os anseios do músico-cineasta-autor. Se à época ele enfrentava resistência por ele mesmo se apresentar como resistência, hoje ele desfruta de um lugar raro para artistas octogenários.

      Ele se orgulha em apontar o sucesso intergeracional de suas canções. “Olha lá no YouTube. Tem música com 100 milhões [de visualizações], música com 50 milhões”, diz, atribuindo os números a uma autenticidade que é buscada pelos mais novos e pelos mais velhos.

      Para a turnê que traz à capital paranaense, ele assume seu lado cineasta. Alceu dirigiu Irandhir Santos, Hermila Guedes e a si mesmo no faroeste pernambucano “A Luneta do Tempo”, de 2014. A trama de vingança no sertão de Lampião foi a única empreitada oficial do artista no cinema, que agora imprime nos palcos o amor pelas telonas. Alceu revela:

      Esse show tá um espetáculo, totalmente cinematográfico. Tanto pelo passeio pela minha obra, quanto pelos músicos da banda, mas também pelas projeções que passam no palco, com uma música emendando na outra, pensando em termos de edição de cinema mesmo.

      Os girassóis, que ilustram um quadro atrás do cantor durante a entrevista, como símbolo da turnê foram ideia da esposa, Yanê Valença. Depois de Curitiba, eles continuam a girar pelo Brasil para depois atravessarem o Atlântico rumo à Europa, no meio do ano.

      Independência ou morte!

      O Alceu dos 20 e poucos anos ainda carrega o espírito independente aos quase 80. Do jovem formado em Direito e que trabalhava em jornal que largou tudo para viver da arte, o músico até hoje se orgulha de “não ceder” às pressões de gravadoras ou de interesses que não os de seu próprio espírito.

      Ele revela que seu processo artístico continua o mesmo, “sem pressão de ninguém”. “Quando a inspiração me atinge, eu coloco no papel”, confessa. Alceu ainda conta que as projeções da turnê surgiram em parte durante uma estadia de 20 dias na praia, as únicas férias que tirou na vida, segundo ele.

      Perguntado se o agora experiente e bem-sucedido artista teria algum conselho – ou até mesmo mudança de comportamento – para o jovem Alceu, ele é sincero e responde até mesmo com certo espanto. Em referência aos ataques que fazia à Ditadura Militar (1964-85) e que o levaram ao exílio na França, ele ressalta:

      Eu não mudaria nada, sempre mandei em mim mesmo. Se eu fui contra a ditadura, foi porque ela era terrível mesmo. Sempre experimentei com a inspiração que vinha pra mim.

      Mais da história de Alceu poderá ser conferida em breve. Ele é o tema do documentário “Vivo 76”, dirigido pelo conterrâneo Lírio Ferreira e elogiado no festival “É Tudo Verdade”. Além da produção, o artista revela que está escrevendo outro documentário autobiográfico, ainda sem maiores informações. Do seu jeito, criativo e independente como sempre foi.

      Estrada de ida e de volta

      Se a turnê é a chance do público reviver os maiores sucessos do artista, ele mesmo revela grande afeto pelo que virá em seguida. “Arte, arte, arte”, confidencia sobre o que ainda há de descobrir dos 80 em diante.

      Em plena energia criativa, Alceu quer ver o público pulando e cantando seus grandes clássicos antes de pensar em novas composições. E é isso que ele diz esperar de Curitiba, por onde guarda grande afeição. Ele afirma:

      Meu carinho por Curitiba é muito grande. Eu já passei por muitos dos palcos, como no Guaíra, na Ópera de Arame. Andei pelas ruas, pra baixo e pra cima, que é meu exercício físico. Adoro o Paraná.

      O aniversário é de Alceu Valença, mas é o público curitibano que vai ser presenteado.

      Serviço

      “Alceu Valença em Curitiba – Turnê 80 Girassóis”
      Quando: 25 de abril de 2026 (sábado)     
      Onde: Igloo Super Hall – Jockey Club do Paraná (R. Dino Bertoldi, 740 – Tarumã)      
      Horário: abertura da casa: 19h; início do show: 21h   
      Ingressos: a partir de R$75 (meia-entrada), na Blueticket

      Imagem: Divulgação
      Texto: Banda B