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      O principal problema de ficar isolado com o mesmo grupo de pessoas, segundo estudo

      O principal problema de ficar isolado com o mesmo grupo de pessoas, segundo estudo

      Todo mundo tem os seus “melhores amigos”, mas o que acontece quando um grupo de pessoas passa por extensos períodos de isolamento? Um estudo liderado pela Universidade de Zurique, na Suíça, revelou que, além da solidão extrema, a proximidade física constante com os mesmos indivíduos também pode se tornar um problema em condições extremas.

      A proposta dos testes é avaliar equipes em condições de isolamento para se entender o que poderia acontecer em futuras missões espaciais que demandariam às tripulações viverem em condições de solidão, mas também de intenso contato com um mesmo grupo de pessoas.

      Para simular uma situação dessa, os pesquisadores estudaram os relacionamentos e dinâmicas sociais de uma equipe que passou dez meses na Estação Concordia, na Antártida – um dos locais mais isolados do planeta, onde as temperaturas podem chegar a -80 °C no inverno. Os resultados foram publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

      Estadia na Antártida

      Se em uma viagem de férias já que podemos começar a estranhar nossos próprios amigos e parentes e sentir falta de casa, imagine numa missão de dez meses de duração? A tripulação passou a estadia na Antártida respondendo questionários e usando sensores feitos para quantificar o tempo que cada pessoa passava próxima de outra.

      Segundo um comunicado, isso foi essencial para se ter uma visão ampla de “como os relacionamentos sociais, a solidão, a desconfiança, os conflitos, a coesão da equipe e o desempenho percebido evoluíram ao longo da missão”.

      O estudo observou que aqueles que tinham contato mais frequente com outros tripulantes eram os mais propensos a relatar conflitos, desconfiança crescente e desempenho reduzido nos questionários. “Em pequenas equipes sob condições extremas, mais contato não se traduz automaticamente em apoio social, podendo, na verdade, aumentar as tensões”, afirma Jan Schmutz, professor da Universidade de Zurique que liderou o estudo, em comunicado.

      Ao longo da missão, a equipe também passou a se dividir em subgrupos, normalmente com os indivíduos criando mais afinidade entre si por conta de fatores como idioma ou nacionalidade em comum.

      Conhecimento sobre dinâmicas sociais

      Os pesquisadores concluíram que apesar de pessoas em isolamento poderem servir de apoio emocional e orientação em condições de estresse, os riscos de fragmentação social e da escalada de conflitos que enfraquecem um time também são reais.

      As descobertas feitas na pesquisa podem servir de ajuda para entender relações sociais de grupos em ambientes extremos e fornecer suportes personalizados para cada caso, seja numa exploração espacial até Marte ou numa longa estadia em uma plataforma de petróleo no meio do oceano, por exemplo.

      Imagem: Divulgação
      Texto: Revista Galileu