O sucesso na década de 1990 não blindou o grupo Pixote contra uma fase de crise. Em conversa com Chico Barney, no programa O Povo Quer Saber, do Canal UOL, Dodô revelou detalhes sobre o período mais difícil da carreira da banda.
O cantor admitiu que os integrantes sofreram com a falta de planejamento e não possuíam reservas financeiras para enfrentar o momento de queda.
O problema principal começou no final do ano de 2003. A banda perdeu o contrato com a gravadora na época. Dodô descreveu a sensação imediata de desamparo. O artista relembrou:
“Você perde o chão, né? Você fala: ‘Caramba, meu. Agora você tá sem gravadora, porque a gravadora é que dá o suporte total de tudo'”.
A situação forçou a banda a recomeçar “praticamente do zero”. Eles precisaram gravar uma única música de trabalho, chamada “Já é madrugada”, para pedir espaço nas rádios. “A gente teve que gravar uma música só, colocar debaixo do braço o disquinho, aí vamos ver assim agora a amizade”, relatou o vocalista sobre a dificuldade de conseguir apoio.
Chico Barney questionou sobre a existência de dinheiro guardado para segurar essa fase ruim. Dodô respondeu de forma direta: “Não, nossa. Aquela época não tinha esse negócio de grana guardada”.
Ele explicou os motivos da falta de caixa do grupo. “Não ganhava igual ganhava hoje. E gastava mais do que se gasta”. O cantor definiu a fase de escassez entre 2003 e 2006 como “uns três aninhos no Vale dos Ossos Secos”.
A virada de chave exigiu um grande risco dos próprios integrantes. Eles bancaram a gravação do DVD “Pixote 15 Anos”, na zona leste de São Paulo, do próprio bolso. O projeto independente reuniu 7 mil pessoas e resgatou o grupo com sucessos como “Insegurança” e “Mande um Sinal”.
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Texto: UOL