“Saara no Rio” é o título da nova música de Jorge Vercillo, que chegou ao mercado com a participação especial do cantor e guitarrista Rik Oliveira, revelado no “The Voice Brasil”. A faixa é a nona divulgada de forma avulsa do álbum “Todo Sempre”, que o artista lançará em breve.
O próprio título ajuda a traduzir uma das principais provocações da composição. “Saara no Rio” faz referência à região comercial do Saara, no centro do Rio de Janeiro e à convivência entre famílias de diferentes origens, entre elas árabes e judias. Em uma canção que olha para guerras e conflitos internacionais, Vercillo encontra no Brasil um contraponto: povos historicamente colocados em lados opostos convivendo, trabalhando, formando famílias e compartilhando o mesmo espaço em harmonia.
A imagem ganha ainda mais significado diante das questões geopolíticas abordadas na música, que passa por conflitos no Oriente Médio e pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Sem transformar a composição em uma tomada de posição partidária, Vercillo questiona relações de poder, a submissão das populações às decisões de governos e os efeitos das guerras sobre aqueles que estão distantes dos centros de decisão. O cantor afirma:
“Saara no Rio é um desabafo geopolítico, lançado às vésperas de uma eleição tão importante no Brasil. Como artista, cidadão brasileiro e referência para uma nova geração, decidi me manifestar através desse Blues Shuffle Jazzístico, de caráter transgressor”.
A composição também aborda o receio de pessoas públicas se posicionarem diante de temas políticos pela possibilidade de perder seguidores ou sofrer rejeição nas redes sociais. Em meio a essas provocações, a letra abre espaço ainda para a cannabis e para uma reflexão sobre como o Brasil lida com o tema e seus impactos sociais. O artista explica:
“Quando falo sobre a cannabis, minha intenção é provocar uma reflexão sobre a maneira como o Brasil trata essa questão e sobre como determinadas políticas podem acabar alimentando ciclos de violência e desigualdade. A música propõe olhar para esse tema por outro ângulo, especialmente quando pensamos nas comunidades mais afetadas por essa realidade”.
Ao tratar dos conflitos internacionais, Vercillo direciona sua crítica principalmente às consequências das guerras para as populações civis e à indústria que se alimenta desses confrontos. “A música não dá nome aos bois, mas deixa clara a minha revolta com os massacres e o envio forçado de tantos civis para sustentar a ‘indústria das armas’ do primeiro mundo. Mais vale a conhecida frase: guerras são velhos poderosos que se odeiam, mandando jovens pobres que não se odeiam se matarem”, diz Vercillo.
Confira abaixo a faixa “Saara no Rio”, do Jorge Vercillo:
Imagem: Divulgação
Texto: Portal Sucesso