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      Pensando em se demitir? Por que tantos brasileiros querem sair do emprego

      Pensando em se demitir? Por que tantos brasileiros querem sair do emprego

      Pensar em mudar de emprego tem passado pela sua cabeça? Se a resposta for sim, você está longe de ser exceção. Uma pesquisa da Robert Half divulgada nesta segunda-feira (5) mostra que 61% dos profissionais planejam procurar um novo emprego em 2026. Os dados ajudam a explicar por que a rotatividade no mercado formal vem aumentando e por que os pedidos de demissão continuam em níveis elevados no país.

      Com um mercado de trabalho mais aquecido e a queda do desemprego, cada vez mais profissionais se sentem confiantes para considerar uma troca de empresa, seja em busca de salários mais altos, maior flexibilidade ou perspectivas reais de crescimento na carreira. Esse cenário favorável também já aparece nos dados oficiais: a taxa de desemprego caiu para 5,2%, o menor nível da série histórica do IBGE. A população desocupada somou 5,6 milhões de pessoas, também o menor número já registrado.

      Um dado que ajuda a entender esse movimento está nos desligamentos a pedido do trabalhador. As estatísticas do MTE mostram que a proporção de demissões voluntárias no mercado formal continua alta. Após uma forte queda em 2020, as demissões voluntárias voltaram a crescer. Em outubro de 2025, cerca de 37,5% dos desligamentos registrados foram voluntários, um nível elevado dentro da série histórica.

      Entre os profissionais que pretendem buscar novas oportunidades, 72% planejam permanecer na mesma área, enquanto outros 28% consideram uma transição de carreira.

      Por que tanta gente quer sair?

      Entre os profissionais que desejam mudar de empresa, mas permanecer na mesma área, os principais motivos apontados pela pesquisa são:

      • Melhores oportunidades de crescimento (45%);
      • Maior remuneração (42%);
      • Novos desafios (31%);
      • Possibilidade de trabalho remoto ou híbrido (31%);
      • Pacote de benefícios mais atrativo (29%).


      Para especialistas, o peso do salário e das promoções nesse ranking é esperado. Ainda assim, a decisão de sair nem sempre é motivada apenas por questões financeiras. Dados do MTE mostram que, entre os jovens, as demissões voluntárias estão ligadas principalmente à busca por novas oportunidades, à falta de reconhecimento e a questões éticas. Também pesam fatores como estresse, problemas de saúde mental e pouca flexibilidade no trabalho.

      Trabalhadores de 18 a 24 anos permanecem, em média, apenas 12 meses no mesmo emprego, segundo dados do MTE. Em 2024, a rotatividade nessa faixa etária chegou a 96,2%, o que evidencia um mercado marcado pela experimentação e por menor apego à estabilidade no início da vida profissional. Apesar disso, o economista chama atenção para um paradoxo. Embora trabalhadores com menor grau de instrução relatem maior insatisfação, quem mais pede demissão são os profissionais mais qualificados.

      Entre os profissionais dispostos a mudar de profissão, o fator financeiro aparece de forma ainda mais intensa. Os principais motivos são:

      • Busca por maior remuneração (63%);
      • Mais qualidade de vida (39%);
      • Realização pessoal (29%);
      • Vontade de aprender algo novo (27%);
      • Mais flexibilidade (24%).
      • Além disso, 18% dos entrevistados disseram querer migrar para uma carreira considerada em alta no mercado.

      Quer mudar de emprego? Planejamento é essencial

      Para quem pensa em pedir demissão ou fazer uma transição de carreira, a recomendação é cautela. Segundo o economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, “a situação financeira da maioria dos brasileiros ainda é apertada. Antes de qualquer decisão, é fundamental fazer um diagnóstico das próprias finanças e entender por quanto tempo é possível se manter enquanto busca uma nova vaga”.

      O economista sugere tratar a recolocação como um projeto. Isso inclui organizar o currículo, usar ferramentas digitais, ampliar a rede de contatos e avaliar oportunidades fora da região onde se mora. Ele orienta: “Às vezes existem vagas em outros estados ou cidades, mas isso envolve mudanças significativas e precisa ser bem planejado”.

      Imagem: Divulgação
      Texto: g1