O café ficou mais caro nos últimos anos e isso acabou pesando no hábito do brasileiro. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) apontam que, no ano passado, o consumo da bebida no país teve uma leve queda, puxada principalmente pelo aumento dos preços nas prateleiras. No período entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o consumo caiu 2,1%, passando de cerca de 21,9 milhões para 21,4 milhões de sacas. Mesmo assim, o número segue alto e bem próximo do recorde histórico, registrado em 2017, quando o país consumiu 22 milhões de sacas.
No bolso do consumidor, o impacto foi claro. Só no último ano, o preço do café subiu quase 6%. E quando se olha um período maior, o cenário assusta ainda mais: em cinco anos, o valor da matéria-prima mais que triplicou em algumas variedades. O café conilon teve aumento superior a 200%, enquanto o arábica também passou dessa marca. No varejo, o reajuste acumulado já ultrapassa os 100%.
Essa alta é reflexo direto de problemas enfrentados nas últimas safras, principalmente por causa do clima. Anos seguidos de condições adversas reduziram a produção e deixaram os estoques mais apertados, criando um desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado global.
Mesmo com esse cenário, o resultado do consumo é visto como positivo pelo setor. Afinal, mesmo com preços disparando desde 2021, o brasileiro seguiu consumindo café em volumes elevados, mostrando que a bebida continua sendo praticamente indispensável no dia a dia. A leve queda registrada é considerada pequena diante de um histórico recente de aumentos tão expressivos.
E o hábito segue forte: o Brasil continua como o segundo maior consumidor de café do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. No consumo individual, então, a liderança é nossa: cada brasileiro toma, em média, cerca de 1.400 xícaras de café por ano. Ou seja, pode até reclamar do preço, mas abandonar o café… isso ainda está longe de acontecer.
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Texto: adaptado da Agência Brasil