Foi com uma sensação agridoce que Alok retornou a Londres, em junho, para abrir sua próxima turnê, Rave The World. Das mesmas calçadas onde agora seus fãs aguardavam a abertura das portas da O2 Academy, casa de shows no lendário bairro de Brixton, o DJ recolhia bitucas de cigarro em 2010, quando se mudou para a capital britânica com o sonho de viver de música.
Ele e o irmão, Bhaskar, tinham começado a tocar juntos e viram algumas faixas terem bom desempenho bem em plataformas de streaming voltadas à música eletrônica. Os dois decidiram mudar-se para Londres, atraídos por um mercado mais aberto ao gênero. Mas os planos não saíram como o esperado, e tudo o que Alok conseguiu para se manter foi um emprego de barback, uma espécie de assistente de barman. Em entrevista à BBC de Londres, o artista relembrou:
“Vir para cá me dá até alguns gatilhos, sabe? Naquele momento, eu limpava o chão enquanto o DJ tocava, recolhia as bitucas de cigarro da rua enquanto as pessoas ficavam na fila. Muitos brasileiros vêm para cá com um sonho, acabam ralando muito, mas eu não dei conta e voltei para o Brasil”.
Esse tipo de trabalho, porém, não lhe era estranho. Foi o mesmo caminho que seus pais, Ekanta e Swarup — que mais tarde se tornariam os pioneiros do psytrance, subgênero psicodélico da música eletrônica, no Brasil — trilharam. A mãe se mudou para Orlando, levando os filhos, para trabalhar como faxineira em uma boate. Foi ali que conheceu o psytrance e decidiu começar a tocar, o que acabou influenciando diretamente na vida de Alok. Hoje, o artista é um dos principais nomes da música eletrônica brasileira, presente nos maiores festivais do mundo e entre os DJs mais reconhecidos do planeta.
Imagem: Divulgação
Texto: adaptado do g1