A cantora Carly Simon revelou essa semana que foi diagnosticada com a doença de Parkinson há alguns anos. Ela explicou que, por isso, se manteve propositalmente afastada dos holofotes, enquanto aprendia a lidar com a doença. Uma de suas última aparições públicas foi em 2019, durante o lançamento de seu livro “Touched by the Sun: My Friendship with Jackie”, em Nova York.
O relato foi feito em um comunicado enviado para a revista People, no qual ela também conta que , durante esse período, ela ainda passou por uma cirurgia como parte do tratamento de um câncer de pele.
A cantora e compositora americana de 83 anos fez as revelações após anunciar a chegada, em breve, de seu primeiro álbum de inéditas após 18 anos. “Comes In Waves” será lançado em 14 de agosto e, segundo a artista, ele “explora a maneira como o amor, o luto, a memória, a traição, a criatividade e a cura chegam a seu próprio tempo, avançando e recuando como a maré”.
No início de sua carta enviada para a revista, Carly Simon afirma:
“Muitas pessoas me escreveram, perguntando gentilmente sobre o meu relativo silêncio, querendo saber como estou e o que tenho feito. A verdade é que tenho aprendido a conviver com a doença de Parkinson. Levei algum tempo para compreender o diagnóstico, adaptar-me a ele e decidir o quanto eu queria falar sobre o assunto publicamente. O Parkinson se manifesta de forma diferente em cada pessoa e pode ser imprevisível. Em alguns dias, sinto-me tão cansada que não consigo sequer começar as atividades do dia. Em outros, a doença me dá um pouco mais de liberdade para me mover, pensar, trabalhar e me sentir eu mesma”.
Carly Simon conta que os primeiros sintomas foram artrite em ambos os joelhos e em um dos quadris. E, por isso, se submeteu a três cirurgias. Até que começou a sofrer ainda mais com as dores e, após uma avaliação minuciosa, recebeu o diagnosticado de Parkinson, distúrbio neurológico degenerativo e progressivo que causa tremor em repouso, rigidez muscular e lentidão nos movimentos. Ela disse:
“O Parkinson pode trazer ansiedade, depressão, exaustão e apatia. A apatia é algo particularmente estranho. Você pode se ver deitado ali como uma estrela-do-mar secando ao sol, com os braços apontando para todas as direções, enquanto nada em seu interior lhe diz para levantar, ler, assistir a algo, escrever, cantar, ligar para alguém ou fazer praticamente qualquer coisa. Essa tem sido uma das coisas mais difíceis de explicar. Não se trata simplesmente de tristeza ou preguiça. É como se a parte do cérebro que envia convites para participar da vida tivesse perdido temporariamente a lista de convidados”.
A cantora conta ainda que, enquanto lidava com o diagnóstico, recebeu outro: o de carcinoma basocelular no rosto. Carly conta que o câncer foi removido, mas que a cirurgia afetou sua aparência e a deixou mais insegura em relação a ser vista em público. Ela revelou:
“Sempre fui mais crítica com minha aparência do que qualquer pessoa poderia imaginar (veja só a ironia de ter composto ‘You’re So Vain’), e isso deu à minha crítica interior bastante material novo”.
Ela ainda contou que, com tudo isso, se tornou “uma ursa que hiberna o ano todo”. No entanto, ela não parou de trabalhar. A cantora explicou que, em meio a tudo isso, começou a gravar um novo álbum, afirmando que “a música sempre soube a hora certa de chegar”. Ela declarou:
“Ela [a música] me salvou mais vezes do que consigo contar. É como um gato ou um cachorro que surge silenciosamente ao seu lado quando percebe que você não está muito bem. Dedicar-me à música deu forma a dias que nem sempre tinham muita forma. Ela me proporcionou um destino, sem que eu precisasse sair do quarto. Lembrou-me de que a doença pode mudar a sua vida sem se tornar a sua vida por inteiro.”
Imagem: Divulgação
Texto: g1