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      Por que sentimos necessidade de ouvir músicas tristes quando já estamos tristes?

      Por que sentimos necessidade de ouvir músicas tristes quando já estamos tristes?

      As letras sobre saudade, arrependimento e coração partido são maioria entre as 50 músicas mais ouvidas no Brasil no primeiro semestre de 2026. Sertanejo, trap melódico e pop mostram que o brasileiro continua se identificando com canções melancólicas.

      Mas por que gostamos de ouvir músicas tristes? Segundo psicólogos, quando estamos sofrendo, nem sempre queremos sair da tristeza imediatamente. As músicas funcionam como um “companheiro emocional”, ajudando a dar nome aos sentimentos e trazendo uma sensação de acolhimento, validação e pertencimento.

      Tristeza que pode fazer bem

      Especialistas explicam que ouvir músicas tristes não significa querer sofrer mais. A experiência costuma provocar uma emoção complexa, misturando tristeza e prazer, já que o cérebro entende que aquela dor está apenas representada na música, e não em um perigo real.

      Quando a sofrência vira experiência coletiva

      Cantar “músicas de fossa” em shows, bares ou festas aumenta a sensação de conexão entre as pessoas. O sofrimento deixa de ser individual e passa a ser compartilhado, fortalecendo o sentimento de pertencimento.

      Playlist reflete o momento emocional

      Além das músicas de sofrência, muitas das canções mais ouvidas falam de festa e diversão. Especialistas dizem que alternar entre esses estilos pode fazer parte do processo emocional, sem significar necessariamente que a pessoa superou uma dor.

      O lado biológico da música

      Ouvir músicas ativa neurotransmissores como dopamina, serotonina, endorfina e ocitocina, responsáveis por sensações de prazer, alívio e bem-estar. Isso ajuda a explicar por que tantas pessoas recorrem às músicas tristes em momentos difíceis.

      Quando a música deixa de ajudar

      A questão só é um problema quando a pessoa entra em um ciclo de ouvir repetidamente as mesmas músicas para alimentar sentimentos de rejeição ou injustiça, processo conhecido como ruminação mental. Nesses casos, a música deixa de ajudar na elaboração da dor e passa a reforçá-la.

      O alerta dos especialistas

      Não existe gênero musical “bom” ou “ruim”. O importante é perceber o efeito que aquela música provoca. A pergunta sugerida pelos especialistas é: “Depois de ouvir essa música, eu me sinto acolhido ou aprisionado?” A música pode ajudar a enfrentar a dor, mas não deve se tornar uma morada permanente para o sofrimento.

      Imagem: Divulgação
      Texto: adaptado do g1